Janones da rachadinha é investigado pelo TCU por enviar emenda de R$ 4 milhões à prefeitura de sua ex
O Tribunal de Contas da União abriu auditoria para apurar o envio de R$ 4 milhões em emendas parlamentares do deputado André Janones (Rede-MG) ao município de Ituiutaba, em Minas Gerais. O detalhe que ninguém pode ignorar é que a cidade é administrada por Leandra Guedes, ex-namorada do próprio parlamentar. O foco da investigação recai sobre contratos de locação de ônibus para o transporte público custeados com esses recursos.
O TCU fixou prazo de 12 dias para que a prefeitura comprove a correta aplicação das verbas e solicitou uma enxurrada de documentos, entre estudos técnicos, pesquisa de preços, edital de contratação, pareceres jurídicos, notas fiscais, comprovantes de pagamento e relatórios de fiscalização. Também foram pedidos extratos bancários da conta utilizada para movimentar os recursos e justificativas para eventuais transferências. As emendas foram executadas na modalidade “transferência especial”, a famigerada emenda Pix, mecanismo de menor transparência que o próprio Janones já criticou publicamente.
Não é a primeira vez que o nome do deputado aparece colado ao de Ituiutaba de forma suspeita. Nos últimos quatro anos, Janones destinou nada menos que R$ 58,4 milhões em emendas para a prefeitura da ex, valor equivalente a 76% de toda a verba à sua disposição no período. Para se ter ideia do absurdo, a capital Belo Horizonte recebeu apenas R$ 7,2 milhões de parlamentares mineiros via emenda Pix no mesmo período, enquanto 16 municípios do estado ficaram sem receber nada.
O mesmo dinheiro público bancou shows de Gusttavo Lima, Jorge e Mateus, Alok e Zezé Di Camargo numa feira agropecuária da cidade. Quando questionado, Janones justificou que “o pobre quer ter prazer, quer ter diversão igual a gente.” Filosofia curiosa para um deputado que responde por rachadinha no STF.
E não para por aí. Janones e Leandra são investigados por um suposto esquema de rachadinha no gabinete dele em Brasília, onde ela atuava como assessora e, segundo denunciantes, seria a operadora do esquema. Agora a auditoria do TCU joga mais lenha nessa fogueira.
Diante das investigações, Janones partiu para o ataque, como de costume, declarando que a cidade foi “tomada por uma quadrilha” e que há três anos suspeita de irregularidades na gestão municipal. A mesma gestão que ele regou com 76% de todas as suas emendas. A coerência, evidentemente, não é o forte do deputado.







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