Lula gasta dinheiro do brasileiro enviando toneladas de comida e remédios para Cuba em meio ao cerco de Trump
O governo brasileiro prepara o envio de cerca de 21 mil toneladas de alimentos e medicamentos para Cuba, em meio ao agravamento da crise econômica e energética no país. O pedido de ajuda partiu do próprio governo cubano.
Ainda não há definição sobre a data nem sobre a quantidade final que será embarcada. As negociações seguem em andamento e o envio depende da disponibilidade de um navio por parte de Cuba para transportar a carga.
A operação vem sendo tratada com discrição pelo governo Lula, numa tentativa de evitar desgaste político em ano eleitoral. Se confirmada, essa será a maior doação internacional recente do Brasil, superando todo o volume enviado a outros países entre julho e dezembro de 2025. No período, foram 45 toneladas distribuídas para 22 nações.
A ajuda inclui 20 mil toneladas de arroz com casca, 200 toneladas de arroz beneficiado, 150 toneladas de feijão, 500 toneladas de leite em pó e 80 toneladas de medicamentos voltados ao combate de fungos e arboviroses. O valor total da carga não foi divulgado.
Essa iniciativa se soma a um envio feito no fim de fevereiro, quando o Brasil mandou 2 toneladas de remédios contra tuberculose e doença de Chagas. Segundo o Ministério da Saúde, a operação não afetou o abastecimento do SUS.
Apesar da ajuda, o governo brasileiro descarta enviar combustível para Cuba. A preocupação é evitar conflitos com os Estados Unidos, já que a Petrobras poderia sofrer sanções por atuar em um país sob restrições americanas.
Nos bastidores, a estratégia é manter cautela para não alimentar críticas da oposição. Integrantes do governo argumentam que o Brasil já realiza ações semelhantes com outros países, independentemente de alinhamento político. Um exemplo citado é o envio de 1,1 milhão de vacinas para a Bolívia neste ano.
Mesmo assim, a relação com Cuba segue sendo alvo de críticas antigas, principalmente por causa do financiamento do Porto de Mariel, cuja dívida ainda não foi quitada. Estimativas apontam um débito de cerca de US$ 1,1 bilhão.
A crise cubana se intensificou com o endurecimento das sanções dos Estados Unidos, especialmente durante o governo Trump. As medidas atingem principalmente o setor de energia, dificultando a importação de petróleo.
Sem combustível suficiente, o país enfrenta apagões frequentes, longas filas nos postos e problemas na coleta de lixo. A situação também já impacta áreas como saúde, educação e transporte.
Diante do cenário, o presidente Miguel Díaz-Canel admitiu recentemente a gravidade da crise e afirmou que o país busca alternativas para enfrentar o colapso energético. Cuba produz parte do próprio petróleo, mas a quantidade não cobre a demanda interna.
Nos últimos dias, a tensão aumentou. Houve protestos, ações contra prédios públicos e declarações polêmicas de Donald Trump, que voltou a falar sobre a possibilidade de intervenção no país, classificando Cuba como uma nação fragilizada.






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