Donald Trump finge que Lula nem existe após vários ataques do presidente do Brasil
A cena do dia no G7 em Évian-les-Bains, na França, valeu mais do que qualquer discurso: Donald Trump e Lula dividiram o mesmo espaço na foto oficial da cúpula e não trocaram uma única palavra. Após o registro, Trump passou próximo ao grupo onde Lula conversava com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen — e seguiu em frente sem cumprimentar o petista. 
Para quem acompanhou o histórico recente entre os dois, o gelo faz todo o sentido. Lula passou meses acumulando provocações contra o presidente americano. Numa sequência de ataques públicos, o petista chamou Trump de “imperador” que governa pelas redes sociais, o rotulou de “autoritário” e ainda sugeriu, com ar de ironia, que ele teria mais cautela caso conhecesse sua “descendência de Lampião”.  Trump, como sempre, não dignificou as provocações com resposta — simplesmente agiu como se Lula não existisse.
A vinda de Lula ao G7 foi, em grande parte, motivada pelo tarifaço americano: em 2 de junho, o Escritório Comercial dos EUA (USTR) propôs uma tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros por supostas práticas desleais, mais 12,5% adicionais por não coibir efetivamente a importação de produtos feitos com trabalho forçado. Logo após o anúncio, Lula confirmou presença na cúpula francesa com um desafiador “agora eu vou”. 
Só que a realidade bateu à porta. Nos bastidores, o Planalto e o Itamaraty agiram para suavizar o tom dos discursos de Lula em Évian, com a principal preocupação sendo evitar um constrangimento público diante de Trump. Auxiliares admitiram que uma postura agressiva poderia resultar em sanções ainda mais severas por parte de Washington. 
Ainda assim, sentado do lado oposto de uma grande mesa oval durante a reunião ampliada, Lula disparou críticas indiretas ao protecionismo e ao unilateralismo americano — com Trump à sua frente. O presidente dos EUA não reagiu publicamente. 
No fim das contas, Lula viajou até os Alpes franceses para mandar recados a Trump. Trump não respondeu, não cumprimentou e seguiu como se o presidente do Brasil simplesmente não estivesse lá.







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