CPMI do INSS encerra sem relatório final após rejeitar parecer que pedia indiciamento de Lulinha
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS encerrou seus trabalhos sem um relatório oficial após sete meses de investigações. Na madrugada deste sábado (28/3), o colegiado rejeitou o parecer final do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) por 19 votos a 12, depois de mais de 16 horas de reunião.
A base governista, que detém maioria na comissão, tentou emplacar um relatório alternativo elaborado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que pedia o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A manobra, no entanto, foi barrada pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que se recusou a colocar o texto em pauta, inviabilizando uma nova votação prevista para a manhã deste sábado.
O principal ponto de atrito entre o governo e o relatório de Alfredo Gaspar foi o pedido de indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. O parecer associa o empresário ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e aponta possível envolvimento em crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e tráfico de influência. Lulinha integra a lista de 216 nomes para os quais foi solicitado indiciamento.
No documento, Gaspar afirma que Lulinha não seria um “mero conhecido” do lobista, mas teria atuado como facilitador de acesso e possível sócio oculto. Apesar disso, o próprio presidente da CPMI, em entrevista ao programa Roda Viva no dia 16 de março, reconheceu a falta de provas conclusivas — e atribuiu a lacuna à atuação da base governista, que teria impedido a quebra de sigilo e o acesso a registros de viagens junto à Anac.
“A base do governo não nos deixou quebrar o sigilo, nem nos deixou ter a lista de viagens pela Anac”, declarou o senador Carlos Viana.







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