Flávio Dino, em vez de se declarar impedido, reintegra Andrei ao comando da PF, cargo para o qual ele próprio o indicou quando era ministro de Lula
O ministro Flávio Dino, do STF, determinou nesta quarta-feira (9) a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal, derrubando o afastamento determinado um dia antes pelo ministro André Mendonça. Dino também mandou reintegrar Leandro Almada à Diretoria de Inteligência da PF.
Um detalhe torna a decisão ainda mais controversa: foi o próprio Flávio Dino quem anunciou Andrei Rodrigues para comandar a Polícia Federal em dezembro de 2022, quando já havia sido escolhido para assumir o Ministério da Justiça no governo Lula. Na ocasião, Dino apresentou publicamente Andrei como o futuro diretor-geral da instituição.
Mesmo com essa participação direta na escolha de Andrei para o cargo, Dino não se declarou impedido de analisar o recurso e decidiu justamente pela volta dele à chefia da PF. A decisão foi tomada após Andrei alegar que seu afastamento poderia prejudicar investigações em andamento, especialmente aquelas relacionadas ao caso do filme Dark Horse. Dino acolheu o argumento e afirmou que a medida de Mendonça poderia interferir nos trabalhos da Polícia Federal.
Andrei havia sido afastado por André Mendonça após o ministro apontar suspeitas envolvendo a produção e o uso de relatórios da PF. A Segunda Turma chegou a formar maioria para manter o afastamento, mas o julgamento foi interrompido após pedido de vista de Gilmar Mendes.
Agora, a pergunta é inevitável: diante de uma decisão envolvendo justamente o diretor da PF que ele próprio ajudou a colocar no cargo, não seria mais prudente que Flávio Dino se declarasse impedido e deixasse outro ministro analisar o caso?
O judiciário brasileiro precisa urgentemente de uma reforma.







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