Gonet barra delação de Vorcaro no mesmo dia em que mensagens revelam proximidade entre os dois
A Procuradoria-Geral da República rejeitou definitivamente a terceira tentativa de Daniel Vorcaro de fechar um acordo de colaboração premiada.
Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (1º), Paulo Gonet entendeu que não há margem para avançar nas negociações. As propostas anteriores também haviam sido rejeitadas porque, segundo PF e PGR, Vorcaro não teria apresentado fatos realmente novos nem assumido de forma efetiva os crimes investigados.
A decisão chama ainda mais atenção porque acontece justamente no mesmo dia em que André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens envolvendo o próprio Gonet e Vorcaro.
A PF identificou que o contato entre os dois acontecia por intermédio do advogado Ciro Soares. Em março de 2025, Ciro enviou uma foto ao lado de Gonet para Vorcaro e escreveu: “Liga aqui. Ele quer falar com você.” Logo depois, foram registradas quatro chamadas.
Dias depois, Ciro encaminhou ao banqueiro mensagens atribuídas a Gonet, entre elas “Estou na torcida por vocês” e “Já estou com saudades de você”. Vorcaro agradeceu pelo “carinho” e sugeriu que os três marcassem um encontro.
As mensagens também envolvem Pedro Gonet, filho do procurador-geral.
Segundo o relatório da PF, Gonet perguntou se o filho poderia acompanhar o grupo em um evento em Londres. Vorcaro respondeu: “Óbvio, né?”
Mais tarde, ao ser questionado sobre quem teria as despesas pagas pelo Banco Master, Vorcaro autorizou especificamente Pedro Gonet e Ciro Soares: “Pedro e Ciro ok.” O evento mencionado acabou sendo cancelado, portanto não se pode afirmar que essa viagem específica tenha acontecido.
Agora surge uma situação que, no mínimo, precisa ser muito bem explicada.
O procurador-geral que aparece em mensagens demonstrando proximidade com Vorcaro e cujo filho foi autorizado pelo banqueiro a participar de uma viagem com despesas pagas é também quem acaba de rejeitar definitivamente a tentativa de colaboração do ex-dono do Master.
As mensagens, por si só, não provam qualquer irregularidade de Gonet. Mas diante de tudo que veio a público, é legítimo perguntar se ele deveria continuar participando de decisões relacionadas a uma possível delação de Vorcaro.
Um caso dessa dimensão precisa de transparência absoluta e nenhuma dúvida sobre quem investiga, quem decide e quem eventualmente pode aparecer nas próprias informações que o investigado pretende revelar.










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